Informação sobre infecção urinária, causas, sintomas e tratamento de infecção urinária, com diagnóstico de pielonefrite e cistite.


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Etiologia na infecção urinária

Os agentes etiológicos mais frequentemente envolvidos numa infecção do trato urinário adquirida na comunidade são, em ordem de frequência: a Escherichia coli, o Staphylococcus saprophyticus, espécies de Proteus e de Klebsiella e o Enterococcus faecalis. A E. coli sozinha, responsabiliza-se por 70% a 85% das infecções do trato urinário adquiridas na comunidade e por 50% a 60% em pacientes idosos admitidos em instituições.
Quando a infecção do trato urinário é adquirida no ambiente hospitalar, em paciente internado, os agentes etiológicos são bastante diversificados, predominando as enterobactérias, com redução na frequência de E. coli (embora ainda permaneça habitualmente como a primeira causa), e um crescimento de Proteus sp, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella sp., Enterobacter sp., Enterococcus faecalis e de fungos, com destaque para Candida sp.
Entre os pacientes com infecção do trato urinário complicada e de repetição tem crescido a incidência de microrganismos produtores de ß-lactamase de espectro estendido (ESBL) incluindo a própria E. coli multirresistente, o que dificulta o tratamento da infecção urinária e exige a utilização de antibióticos de largo espectro com frequência cada vez maior.

Existem alguns grupos especiais de pessoa que podem estar em maior risco de contrair uma infecção urinária, e estes incluem:
  • Crianças muito jovens. As bactérias conseguem entrar para o trato urinário através da corrente sanguínea, a partir de outros locais do corpo.
  • As crianças. As crianças pequenas têm dificuldade em limpar-se e lavar bem as mãos depois de uma evacuação. A falta de higiene tem sido associada a um aumento da frequência de infecções do trato urinário.
  • Crianças de todas as idades. A infecção urinária em crianças pode ser (mas nem sempre) um sinal de uma anormalidade no aparelho urinário, geralmente um bloqueio parcial. Um exemplo desta situação é uma condição na qual a urina se move no sentido contrário a partir da bexiga até os ureteres (refluxo vesico-ureteral).
  • Pacientes internados. Muitos destes indivíduos são cateterizados por longos períodos e são, portanto, vulneráveis à infecção do trato urinário. Cateterização significa que o paciente tem um tubo fino (cateter) colocado na uretra para drenar a urina da bexiga. Esta metodologia é implementada em pessoas que têm problemas para urinar ou em pessoas que não podem alcançar um banheiro para urinar por conta própria.

Cistite

Cistite é um termo abrangente utilizado para definir um processo inflamatório da bexiga, podendo ser aguda ou crônica, de causa infecciosa ou não.
As cistites bacterianas se caracterizam por uma resposta inflamatória da mucosa da bexiga à invasão bacteriana da bexiga e tem como principais sinais e sintomas: ardor urinário, aumento da freqüência de micções, desejo freqüente de urinar,dor no abdome inferior e até sangramento urinário.
É muito mais freqüente na população feminina e corresponde a quase 2% das causas de consultas médicas nas mulheres norte americanas.
O principal mecanismo de contagio na mulher é ascendente (por bactérias do trato intestinal e vaginal), mas também pode haver contaminação pelo sangue, linfa ou extensão direta de órgãos vizinhos.
Chamamos de cistite não complicada, aquela que não envolve outras disfunções do trato urinário.
A bactéria mais comum envolvida é a Escherichia coli (80-85%), mas podemos ter também Proteus, Klebsiella,e o Staphylococcus saprophyticus, sendo este ultimo responsável por 10% das infecções em adultos jovens com vida sexual ativa.
O desenvolvimento da cistite não complicada depende obviamente da presença de bactérias na bexiga, associada à incapacidade do organismo se defender destas. Outro fator associado é a baixa ingesta hídrica (e conseqüente redução na quantidade produzida de urina). Destacamos ainda, no sexo feminino, a atividade sexual a qual em algumas mulheres pode funcionar como gatilho para o desenvolvimento do quadro.
O diagnóstico é baseado em análise dos sintomas, exame físico e finalmente exames de urina. Nos casos de cistite não complicada de repetição devemos ainda complementar estes, com exames de imagem para caracterizar se não existem outras condições patológicas associadas.

Em caso de cistite, quando deve consultar o médico?

As mulheres que já tiveram anteriormente algum episódio de  cistite não precisa necessariamente de consultar o seu médico se a circunstância retornar como um caso leve, já que muitas vezes melhoram sem tratamento. Você pode tentar implementar medidas de auto-ajuda ou perguntar ao seu farmacêutico.
Você deve consultar o seu médico se:
- você tem sintomas da cistite, pela primeira vez;
- os seus sintomas não começam a melhorar dentro de alguns dias;
- você tem episódios de cistite frequentemente;
- você tem sintomas graves, tais como sangue na urina;
- você está grávida e tem sintomas da cistite;
- você é um homem e tem sintomas da cistite:
- seu filho tem sintomas da cistite.

O seu médico deve ser capaz de diagnosticar cistite, baseando-se apenas em seus sintomas. Ele pode ainda testar uma amostra das bactérias de sua urina para ajudar a confirmar o diagnóstico.


Pielonefrite

Pielonefrite é uma das mais comuns doenças renais, sendo uma inflamação aguda causada por bactérias. Pielonefrite afeta principalmente a área intersticial e da pelve renal ou, menos frequentemente, os túbulos renais.
Pielonefrite crónica é a inflamação renal persistente que pode cicatriz os rins e pode levar à insuficiência renal crónica. Esta doença é mais comum em pacientes que estão predispostos a pielonefrite aguda recorrente, tal como aqueles que têm obstruções urinárias ou refluxo vesico-ureteral.

Causas da pielonefrite

Os médicos acreditam que a infecção bacteriana que causa pielonefrite pode, por vezes, desenvolver-se noutras partes do corpo e viajar através da corrente sanguínea para os rins. Muito mais comumente, no entanto, a infecção é o resultado de bactérias a partir de fora do corpo e que viajam de volta para cima do fluxo urinário através da uretra, da bexiga e, eventualmente, para os rins, no caso em que é conhecido como uma infecção ascendente. Isso pode explicar porque as mulheres, cuja uretra é curta e em estreita proximidade com o ânus, uma fonte potencial de bactérias, têm quatro vezes mais casos de pielonefrite que os homens.
O fluxo de urina para trás é conhecido como refluxo e pode ser causado por um defeito anatómico ou por uma obstrução. No primeiro caso, em vez de uma válvula apertada entre a bexiga e o uréter, existe uma abertura larga. Quando a bexiga se contrai durante a micção, a urina sai nos dois sentidos, através da uretra e volta através dos ureteres. O defeito não é fácil de corrigir e aqueles que o têm estão sujeitos a infecções de repetição.
Obstruções que causam refluxo em mulheres são geralmente sob a forma de uma estenose. Em homens jovens, tais restrições formam-se com menos frequência e geralmente são uma consequência de uma infecção sexualmente transmissível. Em homens mais velhos, a próstata é normalmente responsável pela obstrução do fluxo de urina.

O refluxo pode também ser causado pela inserção de cateteres ou instrumentos, tais como cistoscópios para diagnóstico ou tratamento. A introdução de qualquer corpo estranho numa zona de obstrução é um perigo de infecção que pode ser mais difíceis de tratar.


Infecção urinária

O trato urinário normal é estéril. Excetuando-se o período neonatal, a contaminação por via ascendente do aparelho urinário, por agentes microbianos da flora intestinal, constitui o mecanismo patogênico mais frequente de infecção urinária. A infecção urinária consiste na invasão tecidual de qualquer estrutura do trato urinário, incluindo bexiga, próstata, sistema coletor ou rins. Os micro-organismos podem chegar ao trato urinário através de três vias: ascendente, hematogênica e linfática. Na maioria das vezes as infecções são causadas por bactérias, principalmente as gram-negativas, podendo ocasionalmente estarem envolvidos fungos e vírus.
Quanto à topografia, as Infecções do trato urinário são divididas em:
  • altas – que envolvem o parênquima renal ou ureteres e
  • baixas – que envolvem a bexiga, uretra e nos homens, a próstata e o epidídimo.
Quanto à presença de fatores predisponentes ou agravantes são classificadas em:
  • complicadas - quando ocorrem em indivíduos que já possuem alguma anormalidade estrutural ou funcional do processo de diurese, presença de cálculos renais ou prostáticos, doenças subjacentes em que haja predisposição a infecção renal (diabetes mellitus, anemia falciforme, transplante renal) ou na vigência de cateterismo vesical, instrumentação ou procedimentos cirúrgicos do trato urinário; ou
  • não complicada – quando ocorre primariamente em mulheres jovens sexualmente ativas sem anormalidade anatômica ou funcional do aparelho genitourinário.
No Brasil, um total de 80% das consultas clínicas devem-se à infecção do trato urinário. Existem dados que nos fazem crer que aproximadamente 50 a 70% das mulheres apresentam pelo menos um episódio de Infecção do trato urinário em suas vidas, sendo que, 20 a 30% destas apresentam episódios recorrentes. A
incidência de Infecção do trato urinário na faixa etária pediátrica é desconhecida.
A E. coli está envolvida como agente microbiano em 75% dos casos de Infecção do trato urinário. Em crianças do sexo masculino, o Proteus sp. é isolado em aproximadamente 30% dos casos. A recorrência
de Infecções do trato urinário após a primoinfecção acontece em 50% das meninas durante o primeiro ano de seguimento, e em 75% dos casos no período de dois anos de evolução, não há dados comparativos para o sexo masculino.
A ocorrência do patógeno causador de Infecção do trato urinário varia geograficamente e o perfil de suscetibilidade requer monitoramento para fornecer informações para novas orientações de opções terapêuticas. Uma das principais preocupações quanto ao uso de medicamentos está relacionada à utilização indiscriminada de antimicrobianos. O aumento da resistência bacteriana a vários agentes antimicrobianos acarreta dificuldades no controle de infecções e contribui para o aumento dos custos do sistema de saúde e dos próprios hospitais.

Do ponto de vista prático, por convenção, define-se como infecção do trato urinário tanto as infecções do trato urinário baixo (cistites) como as do trato urinário alto (pielonefrites).

Testes e diagnostico da infecção urinária

O diagnóstico da infecção urinária será geralmente feito por um prestador de cuidados de saúde depois de perguntar quais os sintomas que o paciente refere e seguidamente testa uma amostra de urina para avaliar a presença de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e bactérias. Um método de recolha de urina chamado de "captura clara" é usado.
Se uma pessoa tiver infecções urinárias recorrentes, o médico pode pedir mais testes de diagnóstico para determinar se os problemas anatômicos funcionais são os responsáveis pela situação. Esses testes podem incluir:
- Diagnóstico por imagem: que promove a avaliação do trato urinário usando o ultra-som, tomografia computadorizada, ressonância magnética, rastreamento de radiação ou raios-X;
- Urodinâmica: um procedimento que determina o quão bem o trato urinário armazena e libera urina;
- Cistoscopia: Visualiza o interior da bexiga e da uretra com uma lente de câmera, inserido-a através da uretra por meio de um tubo longo e fino.


Infecção urinária recorrente

Infecção urinária é frequentemente motivo de sofrimento em muitas mulheres.
Cerca de 20 por cento das mulheres jovens que têm uma infecção urinária, terão uma infecção recorrente. A cada infecção urinária, aumenta o risco de uma mulher continuar a ter um aumento de infecções urinárias recorrentes. Algumas mulheres têm três ou mais infecções urinárias por ano. No entanto, muito poucas mulheres terão infecções frequentes ao longo das suas vidas.
Mais tipicamente, uma mulher vai ter um período de 1 ou 2 anos com infecções frequentes, após o qual as infecções recorrentes cessam.
Os homens são menos propensos do que as mulheres a ter uma primeira infecção urinária. Mas uma vez que um homem tenha uma infecção, é provável que ele tenha outra, porque as bactérias podem esconder-se profundamente dentro do tecido da próstata. Quem tem diabetes ou um problema que faça com que se torne difícil urinar pode ter infecções de repetição.
Pesquisa financiada pelo National Institutes of Health sugere que um fator por trás das infecções urinárias recorrentes possa ser a capacidade das bactérias para se fixar às células que revestem o trato urinário. Um estudo financiado pelo NIH constatou que as bactérias formaram uma película protetora sobre o revestimento interno da bexiga em ratos. Se um processo semelhante puder ser demonstrado em humanos, a descoberta pode conduzir a novos tratamentos para prevenir a infecção urinária de repetição. Outra linha de pesquisa indicou que as mulheres que não são secretoras de certos antígenos do grupo sanguíneo podem ser mais propensas a infecções do trato urinário recorrente, porque as células do revestimento da vagina e da uretra podem permitir que as bactérias se fixem mais facilmente. Uma pessoa “não secretora” é uma pessoa com um tipo de sangue A, B ou AB que não segrega os antigénios normais para o tipo de sangue, em fluidos corporais, tais como fluidos que revestem a parede da bexiga.

Em risco de infecção urinária

Embora todas as pessoas tenham algum risco para contrair uma infecção urinária, algumas pessoas são mais propensas a ficar com infecção do trato urinário do que outras. Pessoas com lesões da medula espinal ou outro dano do nervo em torno da bexiga apresentam dificuldade para esvaziar a bexiga completamente, permitindo o crescimento de bactérias na urina, que permanecem na bexiga. Qualquer pessoa com uma anormalidade do trato urinário que obstrua o fluxo de urina, uma pedra nos rins ou próstata aumentada, por exemplo, está em risco de uma infecção urinária.
Pessoas com diabetes ou com problemas no sistema de defesa natural do corpo são mais propensas a obter infecções urinárias.
Actividade sexual pode mover micróbios do intestino ou da cavidade vaginal, para a abertura da uretra. Se estes micróbios tiverem características especiais que lhes permita viver no trato urinário, é mais difícil para o corpo removê-los de forma rápida o suficiente para prevenir a infecção. Após a relação sexual, a maioria das mulheres têm um número significativo de bactérias na urina, mas o corpo normalmente limpa-as dentro de 24 horas. No entanto, algumas formas de controle de natalidade aumentam o risco de infecção do trato urinário. Em algumas mulheres, certos espermicidas podem irritar a pele, aumentando o risco de as bactérias invadirem os tecidos circundantes. Uso de diafragma pode retardar a urina e permitir a multiplicação de bactérias. O uso do preservativo também está associado a um risco aumentado de infecções do trato urinário, possivelmente devido ao aumento do trauma que ocorre para a vagina durante a relação sexual.
Uso de espermicidas com diafragmas e preservativos pode aumentar o risco ainda mais.
Outra fonte comum de infecção são cateteres ou tubos, colocados na uretra e bexiga. Cateteres interferem com a capacidade do corpo para eliminar os micróbios a partir do trato urinário. Bactérias viajam através ou ao redor do cateter e estabelecem um lugar onde podem prosperar dentro da bexiga. Uma pessoa que não possa urinar de forma normal, ou que esteja inconsciente ou criticamente doente, muitas vezes necessita de um cateter por alguns dias.
O Infectious Diseases Society of America recomenda o uso de cateteres durante o menor tempo possível para reduzir o risco de infecção urinária.

Causas de infecção urinária

A infecção urinária é causada na maior parte dos casos por bactérias que vivem no intestino. A bactéria Escherichia coli (E. coli), provoca a grande maioria das infecções do trato urinário.
Micróbios chamados Chlamydia e Mycoplasma podem infectar a uretra e sistema reprodutivo, mas não a bexiga. Infecções por Chlamydia e Mycoplasma podem ser transmitidas sexualmente e necessitam de tratamento para os parceiros sexuais.
O tracto urinário tem vários sistemas para prevenir a infecção urinária. Na bexiga existem “válvulas” de sentido único para evitar que a urina regresse para os rins. Nos homens, a próstata produz secreções que retardam o crescimento bacteriano.
Em ambos os sexos, as defesas imunitárias também previnem a infecção urinária. Mas, apesar dessas garantias, as infecções continuam a ocorrer. Certas bactérias têm uma forte capacidade de ligar-se ao revestimento do tracto urinário.

Quão comum é a infecção urinária em adultos?
Infecções do trato urinário são o segundo tipo mais comum de infecção no organismo, representando cerca de 8,1 milhões de visitas aos prestadores de cuidados de saúde a cada ano nos EUA. As mulheres são particularmente propensas a infecções urinárias por razões anatômicas. Um fator a ter em conta é que a uretra da mulher é mais curta, permitindo um acesso mais rápido para as bactérias da bexiga. Além disso, a abertura da uretra da mulher é perto de fontes de bactérias do ânus e vagina. Para as mulheres, o risco de ter uma infecção urinária é maior do que 50 %. Infecção urinária nos homens não é tão comum quanto em mulheres, mas podem ser graves quando ocorrem.

Conhecendo a infecção urinária

Uma infecção urinária é uma infecção no trato urinário. As infecções são causadas por micróbios (organismos muito pequenos para serem vistos sem um microscópio) incluindo fungos, vírus e bactérias.
As bactérias são a causa mais comum de infecções do trato urinário. Normalmente, as bactérias que entram no trato urinário são rapidamente removidas pelo corpo antes que causem qualquer tipo de sintomas, no entanto, por vezes as bactérias superam as defesas naturais do corpo e causam infecção urinária. Uma infecção na uretra é chamada de uretrite. A infecção da bexiga é chamada de cistite. As bactérias podem viajar até aos ureteres, multiplicar-se e infectar os rins.
Uma infecção renal é chamada de pielonefrite.

O Que é o trato urinário?
O trato urinário é o sistema de drenagem do corpo que promove a remoção de resíduos e água extra.
O trato urinário inclui dois rins, dois ureteres, bexiga e uretra. Os rins são um par de órgãos em forma de feijão, que estão localizados por baixo das costelas, um em cada lado da coluna vertebral, para o meio das costas. A cada minuto, os rins de uma pessoa filtram cerca de 3 onças de sangue, removendo resíduos e água extra. Os resíduos e água extra compõem 1 a 2 litros de urina que uma pessoa produz a cada dia. A urina viaja dos rins para baixo por dois tubos estreitos chamados ureteres. A urina é então armazenada num órgão tipo balão chamado de bexiga e é esvaziado através da uretra, um tubo na parte inferior da bexiga.
Quando a bexiga se esvazia, o chamado músculo do esfíncter relaxa e motiva que a urina saia para o exterior do corpo através da uretra. Nos homens a abertura da uretra é na ponta do pénis e nas mulheres na frente da vagina.

Prevenção da infecção urinária

Existem algumas medidas importantes que podem prevenir as infecções urinárias.
Se você é uma mulher, limpe-se da frente para trás após urinar. Isto ajuda a manter as bactérias longe da abertura da uretra. Beba muito líquido. Beba suco de frutas. Beba um copo de água antes da relação sexual. Vá ao banheiro urinar após o ato sexual. Se você usa lubrificantes durante o ato sexual, use os solúveis em água. Use roupa íntima de algodão; as bactérias gostam de locais quentes e úmidos.
O algodão ajuda a manter a região genital seca, pois permite a passagem de ar. Não tome banho de banheira se já tiver tido infecção urinária antes. Prefira usar o chuveiro. Não use roupa íntima, calça ou jeans apertados. Se você usa diafragma, limpe-o após usá-lo, e peça ao seu médico para checá-lo periodicamente para certificar-se de que esteja do tamanho adequado. Vá ao banheiro sempre que sentir vontade. Esvazie completamente a bexiga. Procure seu médico para tirar suas dúvidas e sempre que tiver algum tipo de sintomas.
Não use nenhum antibiótico por conta própria. Não se arrisque utilizando remédios indicados por outras pessoas, e lembre-se que tudo pode complicar se você não tiver um atendimento médico e um acompanhamento profissional adequado.
Não hesite; isso pode causar sérias complicações de saúde e colocar sua vida em risco.

Infecção urinára na mulher

A infecção do trato urinário caracteriza-se pela invasão e multiplicação de micro-organismos nos rins e nas vias urinárias. Na maioria das vezes, é resultado da colonização da urina por bactérias fecais, que cresceram em meio anaeróbio, sendo a E. coli o patógeno mais comumente envolvido nessas infecções.
A infecção do trato urinário é uma das mais comuns infecções bacterianas na mulher, sendo que pelo menos 40% das mulheres adultas têm pelo menos um episódio de infecção do trato urinário em suas vidas. Manifesta-se clinicamente por disúria, polaciúria, urgência miccional e dor no baixo ventre na cistite, arrepios de frio e lombalgia na pielonefrite, ou completa ausência de sintomas na bacteriúria assintomática. O diagnóstico, na maioria das vezes, com exceção da bacteriúria assintomática, é clínico. A gravidez é situação que predispõe ao aparecimento de infecção do trato urinário, devido às mudanças fisiológicas (mecânicas e hormonais) que ocorrem nesse período da vida da mulher. A infecção do trato urinário durante a gravidez pode causar sérias complicações, como o trabalho de parto pré-termo, recém-nascidos de baixo peso, rotura prematura de membranas, restrição de crescimento intraútero, paralisia cerebral, entre outras.

Tratamento da pielonefrite

A pielonefrite (infecção do trato urinário alta) de origem comunitária e não complicada inicialmente pode ser tratada em regime ambulatorial, com reavaliação a cada 48 h para determinar a efetividade do tratamento. Em pacientes com sinais de instabilidade ou com fatores associados à ocorrência de ITU complicada, devem preferencialmente ser internados. Nestes pacientes o uso de anti microbianos endovenosos deverá ser instituído até que se encontrem sem febre por um período de 48 a 72 h, quando a terapia pode ser completada por via oral. Em caso de internação hospitalar, recomenda-se a coleta de hemoculturas e a realização de ultrassonografia.

Tratamento da Cistite

O tratamento da cistite (infecção do trato urinário baixa) de origem comunitária em mulheres jovens imunocompetentes e sem fatores associados à ocorrência de infecção do trato urinário complicada pode ser instituído empiricamente sem a solicitação de urocultura. Para isto deve existir dois ou mais dos sintomas como disúria, urgência miccional, polaciúria, nictúria e dor suprapúbica, associado ao encontro de leucocitúria na urina tipo 1. Já em mulheres idosas ou diabéticas, a investigação com urocultura é necessária, o tempo de uso dos agentes deve ser prolongado (10 a 14 dias) e a ciprofloxacina 500 mg VO de 12/12 h passa a fazer parte das opções terapêuticas.
Em gestantes com cistite de origem comunitária, algumas contra indicações relativas a determinados anti microbianos promovem uma redução significativa com relação às drogas potencialmente utilizáveis.
As possibilidades terapêuticas disponíveis para a gestante são antibióticos beta-lactâmicos, nitrofurantoína e fosfomicina.
Quando a cistite ocorre em pacientes do sexo masculino a ciprofloxacina é uma opção terapêutica e o tempo de tratamento se prolonga para 10 a 14 dias.
Caso o paciente possua mais de 60 anos, justifica-se a realização do exame de próstata e a solicitação de urocultura e teste de sensibilidade a anti microbianos deve ser realizada em todos os casos.
O uso de Sulfametoxazol+Trimetoprin, amplamente difundido em guias internacionais, poderá ser utilizado baseado em teste de sensibilidade a anti microbianos e não em tratamento empírico, devido ao aumento de resistência desta droga em isolados de Escherichia coli.
Os anti microbianos da classe dos aminoglicosídeos, apesar de possuírem excelente ação sobre enterobacteriácias no trato urinário, têm seu uso restringido devido ao potencial de nefrotoxicidade e a existência de drogas com excelente ação e com perfil de segurança maior em relação aos efeitos colaterais.
Entretanto são opções válidas nos casos de contraindicações de outros agentes ou guiado por teste de sensibilidade a anti microbianos, não sendo, portanto, indicado entre as primeiras opções para tratamento. As drogas e doses utilizadas são, Gentamicina 3mg/Kg/dia dividido em 3 doses diárias e Amicacina 15mg/Kg/dia em dose única com infusão de 1h.

Tratamento de infecção urinária

Nas formas clássicas não complicadas, o tratamento de base é feito com antibióticos por via oral a curto período de tempo, 3 a 5 dias. Pode-se usar uma cefalosporina de 1º geração como a cefalexina (Keflex), Sulmetoxazol-trimetropim (bactrim), Macrodantina ou uma quinolona (Norfloxacina ou ciprofloxacina, esta última com alcance para pielonefrite).
O Cloridrato de Fenazopiridina, marca comercial Pyridium, pode ser tomado por boca, aliviando o desconforto urinário da doença, mas não tratando a infecção, pois não é um antibiótico. Pode deixar a urina alaranjada.
A bacteriúria assintomática não deve ser tratada de rotina, com algumas exceções. Nas gestantes por exemplo, infecção do trato urinário ou bacteriúria assintomática devem ser tratadas por 7 dias por boca pelo risco de trabalho de parto precoce e infecção amniótica e neonatal - lembrar que o uso de bactrim e quinolonas pode ser teratogênico e deve ser evitado na gestação.
A pielonefrite é um quadro mais grave, podendo a vitma evoluir com queda do estado geral e sepse grave. Por isso, muitas vezes é necessário internação e antibiótico por via endovenosa e coleta de exames.

Infecção urinária na gravidez

A infecção do trato urinário representa uma das doenças infecciosas mais comuns durante a gestação, com frequência variando de 5 a 10%. Essa infecção pode ser sintomática ou assintomática, notando-se na gravidez a ocorrência de fatores que facilitam a mudança de infecções assintomáticas para sintomáticas.
Bacteriúria assintomática está associada à maior incidência de hipertensão, anemia, retardo de crescimento fetal e prematuridade.
Além da incidência  aumentada  dessas  infecções  entre  grávidas, 2 justamente neste período que o arsenal terapêutico antimicrobiano e as possibilidades profiláticas são mais restritas, considerando-se a toxicidade das drogas para o feto. A Escherichia coli é o uropatógeno mais comum, sendo responsável por mais de três quartos dos casos. Por isso, a terapêutica inicial necessariamente deve levar em consideração o padrão de sensibilidade desse microrganismo aos antimicrobianos propostos.
As sulfas devem ser evitadas no fim do terceiro trimestre pelo perigo de kernicterus. As fluoroquinolonas não devem ser usadas por poderem afetar o desenvolvimento das cartilagens do feto. Pielonefrites febris podem ser tratadas com drogas ß-lactâmicas.

Sintomas de infecção urinária na criança

A infecção urinária se apresenta, na criança, sob quatro formas clínicas:
  1. com sintomatologia relacionada ao aparelho urinário, expressa por disuria, polaciúria, dor lombar, nos flancos ou hipogástrica, enurese, em pacientes que já haviam adquirido controle esfincteriano vesical, com ou sem febre, raramente com hematúria, muitas vezes com piuría e com bacteriúria significativa. Esta é a forma mais frequente de apresentação, em crianças com mais de 5 anos de idade.
  2. com sintomatologia inespecífica, ou referente a outros sistemas, como episódios recorrentes de febre, ganho inadequado de peso, alterações gastrintestinais, como anorexia, surtos de vômitos e/ou de diarreia, íleo paralítico, crises de dor abdominal, irritabilidade, convulsões, torpor, hipotonicidade, irregularidade do ritmo respiratório, palidez, cianose, tonalidade acinzentada da pele, ictericia. Esta é a forma mais comum de apresentação em lactentes.
  3. sem sintomatologia - um pequeno percentual de crianças com bacteriúria significativa é completamente assintomática ou assim se torna, após episódios sintomáticos, sem que haja havido remissão da infecção. Os segundos episódios de infecção e os recorrentes são frequentemente assintomáticos, principalmente quando é instituída terapêutica de manutenção.
  4. no período neonatal - neste grupo etário, o quadro clínico varia, desde o septicêmico, com sério risco de vida, até o assintomático, com bacteriúria significativa.

Síndromes clínicas da infecção urinária

A infecção do trato urinário pode ser classificada do ponto de vista clínico em várias síndromes, como as indicadas a seguir:

CISTITE
Também denominada infecção do trato urinário baixa, se caracteriza pela invasão e aderência de microorganismos na bexiga, levando a uma resposta inflamatória.
Clinicamente caracteriza-se por presença de disúria, polaciúria, tenesmo vesical e dor hipogástrica.
Cerca de 30% das infecções do trato urinário baixas apresentam comprometimento alto oculto, e o tratamento nestes casos deve ser feito para infecção do trato urinário alta. O diagnóstico de infecção do trato urinário alta oculta deve ser feito, quando estiver presente um dos um dos fatores mencionados a seguir:
  • Sexo masculino
  • Idade avançada
  • Infecção hospitalar
  • Gravidez
  • Cateter urinário
  • Instrumentação recente do trato urinário
  • Alterações anatômicas ou funcionais do trato urinário
  • História de infecção do trato urinário na infância
  • Presença de sintomas por 7 dias ou mais
  • Uso recente de antibióticos
  • Diabetes Mellitus
  • Imunossupressão
PIELONEFRITE
também denominada infecção do trato urinário alta e nefrite intersticial bacteriana, caracteriza-se pela invasão e aderência de microorganismos no rim, levando a uma resposta inflamatória. Clinicamente caracteriza-se por dor em flanco, sensibilidade na região lombar (sinal de Giordano), febre, calafrios, náuseas e vômitos.

BACTERIÚRIA ASSINTOMÁTICA
Caracterizada pela presença de bacteriúria significativa em pacientes sem sintomas atribuíveis ao trato urinário. Para que se possa diferenciar da contaminação, deve ocorrer o crescimento do mesmo germe em 2 uroculturas e com contagem de colônias superior a 100.000/ml ou próxima a esse valor.

SINDROME URETRAL
Apresenta sintomas de disúria e pola-ciúria exuberantes, porém com urocultura negativa, e sedimento urinário normal ou com leucocitúria. Habitualmente, associa-se a infecções por germes não habituais (Chlamydia trachomatis, Ureaplasma urea-lyticum, Mycoplasma, Gonococo, Trychomonas, Cândida, Mycobacteria), e cistites não infecciosas.

Sintomas da infecção urinária

Os sintomas associados a Infecção Urinária Baixa ou Cistite são:
  • Dor
  • Dificuldade e/ou urgência para urinar
  • Micções urinárias muito frequentes e de pequeno volume
  • Urina com mau cheiro, de cor opaca
  • Urina com filamentos de muco
Muitas vezes, somam-se a esses sintomas e sinais, dores na bexiga e, no final da micção, gotejamentos de pequenas quantidades de sangue.

Além dos sintomas anteriores, pacientes com a Infecção Urinária Alta ou Pielonefrite (quando rim é atingido) pode apresentar os seguintes sintomas:
  • Calafrios
  • Febre
  • Dor lombar
 Algumas vezes, podem ocorrer cólicas abdominais, náusea e vômito.

Causas da infecção urinária

Os microorganismos uropatogênicos colonizam o intestino grosso e a região perianal.
Nas mulheres, pode haver colonização do vestíbulo vaginal e do intróito uretral e, posteriormente, ocorre ascenção para a bexiga e/ou rins. Em condições normais, há competição entre esses uropatógenos e a flora vaginal, constituída predominantemente por lactobacilos. A colonização da vagina é facilitada,  rincipalmente, pelo uso de antibióticos e pela má higiene perineal. A migração para a uretra e bexiga é desencadeada, principalmente, pela atividade sexual, pelo uso de contraceptivos com espermicida, e pela alteração do pH vaginal, que pode ocorrer com a alteração da flora pelo uso de antibióticos e pelo hipoestrogenismo que, habitualmente, ocorre na menopausa.

Diagnóstico de infecção urinária

A presença dos sinais e sintomas de infecção urinária obriga o médico a solicitar um exame comum de urina e uma urocultura. Para isso, é muito importante que a coleta de uma amostra de urina seja feita sem contaminação.
A coleta é feita pelo jato médio da primeira urina da manhã, após uma higienização bem feita da região peri-uretral. O jato médio é o jato urinário colhido após ter sido desprezada a primeira porção da urina, que poderia estar contaminada por microorganismos da uretra.
O exame comum de urina, no caso de infecção urinária, apresenta bactérias e grande quantidade de leucócitos (glóbulos brancos, células de defesa), predominando sobre os eritrócitos (glóbulos vermelhos) no sedimento urinário.
O exame de cultura da urina, na infecção urinária, mostra um crescimento de bactérias superior à 100.000 germes por mililitro de urina.
Esta quantidade de bactérias permite o diagnóstico de Infecção do Trato Urinário em mais de 95% dos casos.

Classificação da infecção urinária

A infecção do trato urinário é classificada em complicada e não complicada. A infecção do trato urinário não complicada é associada ao paciente com as seguintes características:
  • sexo feminino, não grávida;
  • ausência de alterações anatômicas do trato urinário;
  • ausência de alterações funcionais do trato urinário;
  • ausência de cateteres urinários;
  • ausência de alterações da imunidade;
  • adquirida na comunidade.
A infecção do trato urinário complicada associa-se com condição subjacente que eleva o risco de falha terapêutica:
  • sexo masculino;
  • obstrução urinária;
  • alterações anatômicas do trato urinário;
  • alterações funcionais do trato urinário;
  • patógeno multirresistente;
  • corpo estranho;
  • imunossupressão;
  • cateteres urinários;
  • presença de cálculos urinários e/ou nefrocalcinose.